sexta-feira, 20 de maio de 2016

Zum-by Capítulo 1

Olá, meu nome é Lucas Mourões, tenho quinze anos e vivo com os meus pais, quer dizer, eu vivia com eles, até umas semanas atrás eles não voltarem do trabalho no escritório central NetRiders, no centro da cidade, que por sinal tem o nome de Nova Brasília, mais ao sul da antiga cidade, uns trezentos quilômetros. O dia de hoje é 3 de fevereiro de 2187, estou neste momento escrevendo em uma folha de papel, uma das poucas por aqui, o que posso dizer; sou um nostálgico tecnologicamente falando. Apesar de saber muito sobre sistemas quânticos de programação como o código binário quântico, sei também o quase esquecido código Morse. Falando nisso eu ensinei pra uma garota que mora em um prédio em frente ao meu, não esperava que isto a salvaria até agora. Imagina, ela estava querendo sair com todas aquelas almas andando por aí. Você deve estar perdido, eu explico:

O motivo pelo qual estamos nesta situação é que os computadores do mundo inteiro, quem sabe de Marte também, estejam ativando uma espécie de vírus que foi inserido através de "Born Chips" colocados sob nossa nuca quando nascemos, algumas pessoas são imunes só chip ou teve algum defeito neles, ainda não sei precisar. Como seu disto? Eu consigo entrar no sistema deles através de um computador que eu mesmo montei havia uns anos atrás, nada de mais, ele é gigantesco, ocupa alguns metros quadrados do meu quarto. A janela de tempo é bem curta, entre às treze e quinze horas da tarde. Não sei porque eles mantêm a energia circulando, talvez seja uma transmissão WiFi através da rede elétrica controlando tudo isto.

Como planejado e previsto eu vou continuar relatando os fatos cotidianos como possível, é o que os psiquiatras recomendam neste tipo de situação não é mesmo?
Meus pais bateram à porta novamente no fim desta tarde. Todos os dias aproximadamente às dezoito, é desesperador; eles rugem, como se estivesse conversando entre si. É como se seguissem a rotina normalmente, mas vejo quando eles vão embora caçando as poucas pessoas sãs na rua como zumbis.
Hoje conversei com a Amanda através da janela com lanternas de luzes ultravioleta, aparentemente não é detectado pelos zumbis, curiosamente usando o código Morse que ensinei a ela. Ela me disse que conseguiu ir ao mercado no intervalo que mencionei antes, o que me faz pensar que as máquinas tem um tipo de falha por volta deste tempo. Até agora só visitei os apartamentos vizinhos em busca de suprimentos. Ela me disse que devemos sair da cidade, que devem ter pessoas mal intencionadas que podem ver nossa comunicação, eu insisti que a película do vidro que coloquei em nossas janelas eram suficientes para a invisibilidade de nossa comunicação. Falando nisso, aquele dia foi desesperador, senti muito medo de ir até o apartamento dela. Voltei rápido, disse pra ela que devo defender o computador, pois tentei fazer o mesmo com o notebook dela, mas não consegui monitorar as ações das máquinas ao nosso redor, é como se eu estivesse cego, não sei como ela consegue se manter calma. Ela só me disse que ela não está pronta para deixar o apartamento, os pais dela também voltam às dezoito horas e ficam por lá até as dezenove, agora são vinte e uma horas e dezesseis minutos. É um pesadelo onde não consigo acordar. Estou rodando na casa trancada com mais de sete trancas. No primeiro dia já retirei as trancas vizinhas e coloquei chapas de aço que estavam no quarto de ferramentas de meu pai, algumas das ferramentas que usei tive que pegar no setor do zelador do prédio. Ele grunhiu e correu atrás de mim, sorte minha ter participado das olimpíadas esportivas do colégio, ele quase me alcançou. Quando cheguei no terraço do prédio eu me esquivei me abaixando rapidamente e indo um pouco para o lado, aparentemente eu estava certo, o seu Antônio José caiu os quase trinta andares, foi horripilante, ao mesmo tempo foi uma sensação de alívio e prazer de certa forma. Estes zumbis não tem a visão periférica muito apurada, apesar de parecerem vivos, cumprindo uma velocidade regularmente humana. Ainda não contei pra Amanda, não sei qual seria a reação dela, mas claro que disse pra ela a minha hipótese sobre eles. Depois disto eu fui ao apartamento dela pra fazer o mesmo e aplicar a película no vidro da janela dela, reforcei algumas coisas para ela continuar com a comunicação do Morse e corri os apartamentos ao nosso redor, ainda não deu pra verificar tudo, mas creio que somos os únicos que não foram atingidos pelo tal vírus. Nestes últimos dias reforcei qual seria o método de como podemos sobreviver e transportar este computador para longe da capital. Mas concordamos que devemos matar algumas pessoas infectadas, donos dos carros pra não termos problemas. Outra coisa que me preocupa é que terei de parar a pesquisa sobre o vírus durante este tempo, algumas semanas desmontando o computador, colocando nos veículos ou no veículo se for um de carga, além de decidir aonde ir, pois não consigo controlar os satélites para varrer a área, tenho que esperar que as máquinas façam isto por si só, mas isso nunca ocorreu. Pois bem, vou tentar dormir e gravar um pouco mais amanhã, se estiver aqui ainda.

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