domingo, 20 de maio de 2018

"Os 13 Porquês" e como ela reflete a sociedade.

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Olá caros leitores e escritores, neste post abordarei a polêmica da primeira temporada da série "Os 13 Porquês" e a possível motivação de se escrever este tipo de série neste formato.

Para quem não sabe ou estava em Marte no ano de lançamento da série, ela aborda o suicídio de uma garota numa escola norte-americana, porém é altamente expansível para muitas outras partes do mundo, pois conta um pouco da cultura sexista e misógina altamente presente nas escolas em todo o mundo. Mas, acima de tudo, o problema do suicídio não está presente somente nas escolas, entretanto está onipresente por todo e qualquer tipo de ambiente, seja ele pessoal ou profissional.

Na época do lançamento fiquei tentado a escrever sobre, porém sabia que a obra não estava completa. É como escrever metade de um livro com temas complexos e sensíveis e esperar que alguém o entenda. O que quero dizer é que faltava algo na primeira temporada e isto se fez na segunda; um complemento por assim dizer. O assunto foi interpretado por muitos como um tom leviano sobre um tema sério, tantos outros entenderam que é importante falar sobre e dentre estes últimos estavam os produtores da série, eles entenderam o papel desempenhado pela série; compreender s pontos de vista das diversas vítimas no processo de bullying e depreciação do ser humano como um todo. Quando você ou eu ofendemos alguém acabamos por objetificar esta pessoa, isto faz com que não observemos a empatia, um sentimento cujo nos torna mais humanos e nos compadeçamos com o próximo, isto gera um ciclo vicioso, pois tudo o que vai; volta. Isto tudo se você não sofrer do transtorno de psicopatia, o que é irônico, pois o psicopata, por definição, não sofre por ninguém.

Sobre a premeditação das fitas; é exagerado, mas também é um recurso narrativo muito forte e temos que saber interpretar este fio narrativo que conduz a série. "Ah... Mas o autor poderia ter usado outro recurso mais verossímil..." meu caro leitor; já há verossimilhança o suficiente na história, pois muitas pessoas sofrem de depressão com tendências suicidas e é verdade que muitos não deixam suas vontades e vozes expressas, contanto ao racionalizar seus sofrimentos eles, geralmente, concluem que é o ambiente e as pessoas que os cercam que os deixam doente e querendo terminar com tudo da pior forma... E como sei disto? Eu fui um deles, além do mais existem algumas pesquisas sobre a psique humana que corroboram com esta visão, porém estamos falando de uma área do conhecimento humano cujo não se conhece muito; o nosso conhecimento sobre nós mesmos. Acredito que enquanto não nos libertarmos desta falta de conhecimento sobre como funciona nosso próprio processo de pensamento, não poderemos melhorar muito mais. Eu escrevi e rasguei várias cartas de suicídio, estes escritos me ajudaram a entender que o inferno são os outros, pois eu fazia tudo que estava em meu alcance para auto determinar como ser humano, tornando-me autônomo em minhas decisões. No processo aprendi; os adultos apenas fingem saber o que estão fazendo, pois viver é mais complexo do que, simplesmente, esperar o tempo passar e aguardar o aprendizado entrar em sua mente. Se alguém te passou a sensação de que a vida acontece desta maneira; afaste-se desta pessoa, pois ela que que você se dê mal ou não sabe dar conselhos. Ser um humano completo, realizado, sadio (em mente e corpo) é cada vez mais difícil do que o mundo 'meritocrático' quer passar para você, pois meritocracia não existe e o oposto também não. Num mundo com conceitos globais ditados pelo ocidente temos prós e contras, os prós são a sensação de civilidade, porém um dos contras é a impressão (errada) de que o capitalismo deu certo e que as instituições públicas realmente desejam o bem estar social, enquanto elas só querem que você acredite nisto, é como um Deus onipresente e onipotente que em nome do livre arbítrio deixa os seus devotos sofrerem. O fato é que não há ninguém pra nos proteger neste sistema, se queremos segurança temos que fazer por si, pois o Estado que jura fomentar o bem-estar social também ajuda a gerar as desigualdades. Acreditar no Estado só dá a sensação de segurança, faz com que baixamos a guarda e nos deixe ser espancados com leis injustas e que só prendem quem não tem a proteção que só o dinheiro pode comprar. Vivemos dentro de um clube exclusivo cuja a maioria de nós somos empregados enquanto 20% (ou até menos) são realmente protegidos pela diretoria do clube (uns 2% ou menos), mas que na primeira oportunidade não excitarão em empregá-los para 'o seu bem' e que 'devem se sentir gratos por estarem ali; vivos', pois é isto que eles fazem hoje com os outros 78%.

Mas o que tudo isto tem a ver com a série? Eu lhe respondo; tudo!

Na série o colégio reforça preconceito e suas ações de integração entre os alunos tem uma roupagem democrática, porém são fascistas por si, pois reforçam as panelinhas e as divisões entre os alunos, onde o status e a popularidade importam mais do que os sentimentos dos alunos, como consequência os populares vivem de aparências, os impopulares acham isto certo e tentam ganhar seu espaço enquanto os excluídos se alimentam de sua depressão e miséria e afogam sua aprovação social nos mais diversos meios (lícitos e ilícitos). Por isto eu não acredito na guerra contra as drogas, para mim não passa de um discurso moralista vazio pra convencer as massas de que o Estado é protetor do bem-estar social, enquanto a oligarquia que o comanda lucra em cima da miséria de espírito e dinheiro que eles mesmos geram através da cultura do trabalho existente. Mas continuando... A minha leitura sobre a série transborda sobre toda a sociedade, pois aqueles que desistem de viver em meio a tantas injustiças e se cansa de suportar um peso desnecessário (para sustentar o luxo de poucos) são culpados por desistirem, enquanto os verdadeiros culpados continuam a viver sem o menor peso na consciência e com a certeza da impunidade. Isto é mostrado na segunda temporada da série enquanto a reputação do todo poderoso rei do colégio continua intacta e seus colegas mais próximos são jogados para o meio do fogo (podemos fazer a analogia dos 20% mais ricos jogados pra miséria enquanto os 2% de privilegiados se salvam). Outra coisa que me vem a mente é a passagem bíblica "é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino do céus" tornando ser pobre um pré-requisito para ser bom e ao mesmo tempo ter a oportunidade de viver com Deus, isto espalha a sensação de que a população deve se contentar com o pouco, assim como os porcos tem que contentar com a comida que lhe és dada. Isto não te faz pensar a quem serve a difusão desta palavra? Aos ricos, obviamente, que raramente são importunados por levantes, revoluções e revoltas populares, pois Deus lhe diz que deve ser assim, Ele nos diz pra seguir o caminho da miséria para que possamos alcançar a paz eterna. Esta, para mim, é uma evidência clara de que a Bíblia foi escrita com interesses únicos em manter o status quo de populações ordeiras como ovelhas, pois o Senhor é o seu Pastor e nada lhes faltará. Podemos substituir por "o Estado lhes trará justiça social e todos viverão dignamente", estas e outras coisas me fazem acreditar que a Bíblia e Constituições nada mais são do que mãe e filhas que protegem o pai que as escrevem da revolta que virá.

Na segunda temporada a justiça é perseguida pela família, porém os advogados de defesa do colégio torcem e distorcem as palavras das testemunhas que desejam a verdade revelada, além de colocarem tantas outras falas em suas bocas. Realidade não muito diferente onde a grande mídia tenta distorcer a palavra daqueles que buscam revelar a verdade, de quem estou falando? Não sei, pois a verdade não nos foi revelada ainda, não sabemos o que se passa, de fato, por trás das cortinas (de fumaça) do poder. Tudo o que sabemos é o que nos é contado e se quisermos a verdade teremos que buscá-la, quando alcançarmos a verdade tentarão nos calar, nos invisibilizar, levando os outros a acreditarem que não somos importantes e nossas palavras não valem nada. É o que acontece na série; calam e objetificam a pessoa que desistiu da vida, uma covardia sem tamanho visto que ela não pode se defender e algumas pessoas vão jogar a culpa nela para poderem viver impunes suas vidas de vidro.

Acredite e faça as análises que desejarem, mas lhe peço que pense sobre o que escrevi.

Abraços randômicos e até mais!

domingo, 29 de abril de 2018

A volta... E o trabalho do futuro

Olá, tudo bem com vocês? Após um tempo sem postar tomei vergonha na cara e atualizar o blog.

Pra iniciar o primeiro post após tanto tempo fora resolvi abordar um tema que vem martelando há muito tempo; o culto ao trabalho. Eu sei o que deve pensar, afinal "um escritor deveria falar de literatura", mas devo lembrar-lhe de que a literatura é constituída por tudo o que nos cerca e que o trabalho do escritor é colocar seus pensamentos e ideias sobre o mundo no papel (ou no e-book no caso de hoje).

A cultura exagerada de "não reclame: trabalhe" acaba consumindo boa parte de minha consciência, pois segundo este tipo de pensamento somos máquinas que fazem girar a grande máquina do capitalismo próspero que esmaga "os vagabundos" que não "querem" trabalhar. Quando, na verdade, o capitalismo é um sistema pragmático que incentiva o acúmulo de capital em detrimento do bem estar social. Tal estado social só é possível com uma democracia plena e sadia, cuja as instituições refletem a empatia pelo seu igual; o cidadão. Achou utópico? Mas não precisa ser, pois vários países no norte da Europa abundam esta democracia, porém é preciso salientar que isto só foi possível graças a desigualdade entre eles e as colônias africanas, exploradas por séculos através de tráfico, escravidão e transações comerciais desfavoráveis...  Todavia você pode me questionar que estes povos aceitaram o relacionamento de bom grado, aproveitando de sua prerrogativa de soberania e liberdade de transação econômica que o capitalismo tanto prega, mas devemos nos lembrar da teoria de relações internacionais, o pragmatismo político e  a "Royal Politic" ou se preferirem em português "A Política Real", uma política baseada em condições reais que podem resultar em contradições ideológicas, pois o povo sacrifica a ideologia em razão de sua existência, geralmente o lado mais fraco cede em favor das potências vigentes, é só estudar sobre um caso "curioso" sobre a abertura comercial do Japão (alerta de spoilers; foi na base do canhão).

Mas vim aqui falar sobre trabalho... Assim como os países mais fracos os cidadãos de poder minoritário acabam sacrificando a ideologia de um bem comum (a luta de classes) em razão de sua sub existência, isto não é vergonhoso... Para os colaboradores, ops, quis dizer cidadãos, mas não posso dizer o mesmo aos donatários dos grandes grupos detentores do capital majoritário global.

Outro ponto é que a cidadania só se dá através do acesso ao consumo de bens e serviços pagos, pois temos que bancar uma boa qualificação pra adentrar no mercado de trabalho, bons equipamentos de informática e braços biônicos, ops, quis dizer smartphones, já que nos dias de hoje somos como ciborgues; não vivemos sem...Mas e quem não os tem? Pois é; não são cidadãos como nós que temos acesso a tudo isto, para tanto se configuram como cidadãos de segunda classe. Aqui vão alguns exemplos de cidadãos de segunda classe ao longo da história: Judeus, Mulheres, Homossexuais, Estrangeiros, Plebe, Vassalos e mais recentemente os Negros. E, apesar de não reconhecermos, também excluímos aqueles que pregam a equidade e quebra do grande capital em favor dos menos abastados... Certa vez Wilson Churchill disse que o comunismo era a distribuição igualitária da pobreza, mas vale lembrar que ele é um exemplo clássico de abastado, pois para ele o conceito de pobreza é o mesmo de classe média para os cidadãos de hoje, que também podemos transpor para termos coloquiais como "bem de vida", mas não é isto que quero... Desejo somente ter uma boa vida pra ficar de bem com ela, quero ganhar o suficiente pra patrocinar minha existência sem a necessidade de me submeter a mais ninguém, além de não necessitar do medo da pobreza pra me fazer prosseguir. Hoje em dia vivemos com medo da grande massa de desempregados que estão famintos, ansiosos para que os empregados caiam e assumir o tal posto, fazendo com que os empregados agradeçam ao dono do capital por terem empregado... Não é ingratidão, mas eu enxergo que a própria concentração de capital causa esta massa de desempregados, eles (os detentores do grande capital) fazem parte do problema... E antes que me chamem de comunista, eu os alerto; não falo do pequeno empresário que mantém seu pequeno capital em razão de sua força de trabalho, pois como todos nós você só quer a liberdade e autonomia que muitos não tem nem a chance de alcançar. Pois a autonomia só vem para aqueles que tem capital pra investir em si, alcançando o mínimo de cidadania.

Encerrando (em partes) o assunto capital, vamos ao (assunto) trabalho:

O trabalho como conhecemos é uma invenção do século XVII quando artesãos e donos de pequenas propriedades tentavam aumentar a produção, muito por conta do aumento da população dada pelos benefícios dos recentes avanços da medicina. Para resolver este problema de abastecimento eram feitas estradas, pontes, portos... Além de mais braços para a colheita e fabricação de produtos dos mais variados... Aí começou o trabalho, o início do capitalismo moderno, o surgimento do poder econômico da burguesia (também conhecido pelos franceses como "Segundo Estado") explorando o proletariado, dando de comer à estes pobres sem vontade de construir o próprio capital (contém ironia). Depois venho o século XVIII com máquinas a vapor e consequente início da produção massificada, dando as bases aos grandes capitalistas do século XIX. Um exemplo clássico é o "fordismo", mas também deram bases aos mais variados tipos de teorias econômicas, desde às mais pragmáticas ("keynesianismo") até às mais fantasiosas ("anarquismo"), também não podemos esquecer das psicodelias recentes ("anarcocapitalismo").

Tendo isto em mente podemos retornar à expressão do início do texto; "não reclame; trabalhe!" e dizer que este pensamento não é adequado... O capitalismo não deu certo pra todos, o comunismo também não, bem como o feudalismo e a suserania dos mais variados regimes monárquicos. Tudo que podemos afirmar com toda a certeza é que esta pequena parte da história terá um fim; o fim da cultura do trabalho, trazida pela tecnologia e inteligência artificial de nossas criações. E o que farão com aqueles que não tiverem trabalho? Jogar na sarjeta como é hoje ou dar a cidadania que somente da equidade econômica de grande prazo pode nos dar?

E por qual meio? Eu acredito que devemos começar a pensar na renda cidadã (imposto negativo, renda mínima...)

E vocês, o que pensam?

Abraços randômicos e até mais! 


segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Livro "Poesias Aleatórias" em pré-venda!

Olá caros leitores e escritores! Este post será curtinho e, sim, de divulgação de meu primeiro livro com poesias escritas há pouco e muito tempo. Todas elas misturadas e com alguns experimentalismos poéticos.

O meu primeiro livro já está em pré-venda neste finzinho de mês na Amazon, sendo liberado no começo de Março.  

Também gostaria de informar que estou preparando uma versão de bolso para vender sob demanda na Amazon (vamos ver se este negócio funciona mesmo) voltado, principalmente, para aqueles que podem ter a tendência de querer ter o livro impresso em mãos e cheirá-lo XD.


Mas é claro que este serviço de impressão sob demanda ainda não chegou no Brasil, mas quando chegar já estarei com tudo pronto XD.

Se quiser ler a prévia e ter em mãos o livro físico ou até mesmo querer comprar as duas versões, deixe aqui seu comentário e divulguem para os seus amigos.

Abraços randômicos e nos vemos por aí! ;)